sábado, 12 de outubro de 2013

Corrupção aumentou no Brasil, diz pesquisa da Transparência Internacional

Numa escala de 1 a 5, onde cinco é o maior grau de corrupção, as legendas partidárias no Brasil.
Numa escala de 1 a 5, onde cinco é o maior grau de corrupção, as legendas partidárias no Brasil.
http://orenburg.spravedlivo.ru

Elcio Ramalho
Maior pesquisa já realizada pela ong Transparência Internacional revela que a corrupção aumentou nos últimos dois anos no mundo. No caso do Brasil, os políticos e a polícia são os mais afetados pela corrupção. Três países europeus - Dinamarca, Finlândia e Suíça - são apontados como os menos corruptos.

A Transparência Internacional entrevistou 114 mil pessoas em 107 países sobre corrupção e instituições consideradas mais afetadas por essa prática.
De acordo com a pesquisa publicada nesta terça-feira, os partidos políticos aparecem como os mais afetados pela corrupção com uma nota de 3,8 de uma escala que vai de 1 ("não corrompível") até 5 ("extremamente corrompível").
Apenas 23% das pessoas interrogadas pela pesquisa acreditam que os esforços de seus governos para combater a corrupção são eficazes, enquanto em 2008 o índice era de 32%.
"Os líderes políticos ainda têm muito o que fazer para conquistar a confiança" da opinião pública, escreveu a Transparência Internacional ao analisar os resultados do relatório.
A segunda instituição mais afetada pela corrupção a nível mundial é a polícia, diz a Ong. A imprensa aparece em 9° lugar na opinião dos entrevistados.
Brasil
Segundo a pesquisa, 35% dos brasileiros acreditam que o nível de corrupção no país continua igual nos últimos dois anos e 47% consideram que aumentou.
Em relação à corrupção no setor público, 70% da população acredita que é um problema gravíssimo. A pesquisa da Transparência Internacional revela ainda que 56% dos brasileiros acham que a ação do governo no combate à corrupção é ineficaz.
Outros dados importantes revelados pelo estudo: os partidos políticos são de longe os mais afetados pela corrução no Brasil segundo 81% dos entrevistados. Os deputados e senadores aparecem em segundo lugar entre os mais envolvidos em corrupção com 72%.
Ainda de acordo com a pesquisa, 70% dos brasileiros acreditam que há corrupção na polícia, 55% nos serviços médicos e hospitais e 50% consideram que a justiça também não escapa da corrupção. Por outro lado, 81% dos brasileiros entrevistados pela pesquisa disseram acreditar que pessoas comuns podem ajudar a combater a corrupção.
Segundo a pesquisa da Transparência Internacional, os países mais corruptos são Libéria e Mongólia. Já os países com menos problemas de corrupção de acordo com seus habitantes são Dinamarca, Finlândia e Suíça.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Amantes chinesas se vingam de ex-parceiros acusados de corrupção

Atualizado em  10 de outubro, 2013 - 14:51 (Brasília) 17:51 GMT

Ji Yingnan e Fan Yue
Ji Yingnan divulgou na internet foto de seu amante, o funcionário do governo Fan Yue
Amantes de importantes autoridades chinesas se tornaram improváveis armas contra a corrupção no país, delatando de casos de corrupção envolvendo poderosos.
Seus recentes relatos têm oferecido uma rara oportunidade de se conhecer o extravagante estilo de vida da elite do Partido Comunista, que tem enfurecido a opinião pública chinesa.
O caso mais emblemático é o de Ji Yingnan, uma apresentadora de TV de 26 anos que causou constrangimentos a seu ex-amante ante os milhões de internautas chineses. E identificou esse ex-amante como sendo Fan Yue, vice-diretor da Administração de Arquivos do Estado.
Recentemente, Ji postou na internet vídeos e fotos dela com seu amante. Algumas imagens mostravam o casal indo às compras, divertindo-se na piscina ou em uma festa, em que o funcionário público aparece pedindo a amante em casamento.
Ji diz ter decidido expor seu amante ao descobrir que ele era casado e pai de um adolescente.
"Não tinha ideia de que ele era um mentiroso", disse Ji ao jornal chinês Global Times. "Ele sempre prometeu que se casaria comigo. Sempre achei que ele seria meu noivo ou mesmo meu marido."

Dinheiro e luxo

Mas o que chocou o público foram as impressionantes somas de dinheiro envolvidas no episódio. Segundo Ji, seu ex-parceiro lhe presenteava com mais de US$ 1 mil por dia em dinheiro vivo, além de um carro de luxo e promessas de um apartamento.
Ela disse ao Global Times que denunciou Fan às autoridades, por acreditar que ele estaria envolvido em atos corruptos. Mas disse que nunca recebeu uma resposta oficial - e por isso decidiu levar sua história à internet.
Os detalhes desse aparentemente glamouroso estilo de vida despertam uma questão óbvia: como o amante de Ji poderia pagar tudo isso com seu modesto salário de funcionário público?
Segundo a agência noticiosa estatal Xinhua, Fan foi demitido de seu emprego em junho e está sendo investigado por supostas acusações de corrupção. A BBC não conseguiu entrar em contato com Fan.

Domínio público

Um dos principais sites que publicou as revelações é chefiado por Zhu Ruifeng, um blogueiro anticorrupção alçado à fama no ano passado após divulgar um bombástico vídeo de teor sexual envolvendo um funcionário do governo, Lei Zhengfu. A investigação posterior resultou na prisão de Lei.
Com o crescente poder da internet, detalhes que antes teriam permanecido no âmbito privado têm, agora, vazado ao público.
Escândalos sexuais, obviamente, acontecem em qualquer país. Mas a diferença na China, diz Zhu, é que autoridades estatais estão usando dinheiro público para bancar suas vidas amorosas.
"Na China, nada é claro", diz ele. "O público não sabe o que as autoridades estão fazendo. Mas as amantes vivem com essas autoridades, gastam seu dinheiro, sabem tudo o que está acontecendo. Quando uma amante fala, a verdade vem à tona."
Liu Tienan, um poderoso funcionário do setor energético, foi demitido de seu cargo em maio depois que sua ex-amante denunciou a um jornalista que ele teria ajudado a fraudar bancos em mais de US$ 200 milhões.
Amantes se tornaram um poderoso simbolo de corrupção na China. Segundo um relatório estatal de 2007, surpreendentes 90% das autoridades-sêniores do país derrubadas em escândalos de corrupção haviam tido amantes - em muitos casos, mais de uma.
O ex-ministro de Ferrovias, Liu Zhijun, detido por corrupção neste ano, tinha, segundo relatos, 18 amantes.

'Complexo de imperador'

Casos extraconjugais não são novidade na China. Imperadores eram conhecidos por terem concubinas. Mas a principal sexóloga do país, Li Yinghe, acredita que muitos homens atuais acreditam ainda estar vivendo na época do Império.
"Acho que muitos deles têm complexo de imperador", diz ela. "Ser um imperador significa poder possuir muitas mulheres. É algo que lhes dá orgulho. Eles veem as mulheres como troféus de seu sucesso.
Em meio aos escândalos, o Partido Comunista tenta agora evitar que os casos privados cheguem a conhecimento público.
Em maio, o jornal oficial do partido publicou um editorial dizendo que o país não pode contar com amantes para expor a corrupção no poder público.
"Algumas (amantes) diretamente pediram subornos ou tentaram obter privilégios ilegais", disse o jornal. "Jogar as esperanças (de combater a corrupção) sobre elas é como (usar) o mal para atacar o mal."
Nas últimas semanas, autoridades também introduziram medidas duras para controlar a internet - onde vieram à tona muitas das revelações. Está claro que o partido quer jogar um véu sobre seus segredos mais íntimos.

sábado, 7 de setembro de 2013

Incompetência e corrupção roubam R$ 1 trilhão por ano do Brasil

Correio Braziliense

Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, o equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento.
Além de dinheiro, que poderia ser investido em educação, saúde e transporte público, escorre pelo ralo muitas outras oportunidades. O Brasil deixou passar a bonança externa — entre 2003 e 2008, o mundo viveu a sua era de ouro, puxado pelo supercrescimento chinês — sem fazer as reformas estruturais necessárias à economia. Agora, se vê sem capacidade de colher os frutos do bônus demográfico, período único em que as nações usam a sua força de trabalho para se tornarem ricas. De farto e próspero, o país ganha cada vez mais a cara do desperdício.
Não à toa, o Brasil está tomando uma sova de desconfiança. O real, que ostentou, por anos, o status de moeda forte, é hoje a divisa no mundo que mais perde valor ante o dólar. Para piorar, o crescimento médio anual do PIB, de 1,8%, é o menor em 20 anos. A inflação se mantém sistematicamente próxima ao teto da meta, de 6,5%. Os investimentos produtivos minguam e a confiança das famílias está no chão. Mais uma vez, o futuro que nos parecia tão perto toma feições de miragem.

Salários e beneficios de um deputado

 
BENEFÍCIOS SEM VALOR ESTIMADO
Carros oficiais.  São 11 carros para uso dos seguintes deputados: o presidente da Câmara; os outros 6 integrantes da Mesa (vice e secretários, mas não os suplentes); o procurador parlamentar; a procuradora da Mulher; o ouvidor da Casa; e o presidente do Conselho de Ética.
Impressões e materiais
até 15 mil A4 por mês,
até 2 mil A5 por mês
até 4 mil exemplares de 50 páginas por ano (200 mil páginas por ano)
até 1 mil pastas por ano
até 2 mil folhas de ofício por ano
até 50 blocos de 100 folhas por ano
até 5 mil cartões de visita por ano
até 2 mil cartões de cumprimentos por ano
até 5 mil cartões de gabinete por ano
até 1 mil cartões de gabinete duplo por ano
OBSERVAÇÕES
(1) Ajuda de custo. O 14º e o 15º salários foram extintos em 2013, restando apenas a ajuda de custo. O valor remanescente se refere à média anual do valor dessa ajuda de custo, que é paga apenas duas vezes em 4 anos.
(2) Cotão. Valor se refere à média dos 513 deputados, consideradas as diferenças entre estados. A média não computa adicional de R$ 1.244,54 devido a líderes e vice-líderes partidários. A Câmara decidiu aumentar o valor do cotão este ano em 12%. Cotão inclui passagens aéreas, fretamento de aeronaves, alimentação do parlamentar, cota postal e telefônica, combustíveis e lubrificantes, consultorias, divulgação do mandato, aluguel e demais despesas de escritórios políticos, assinatura de publicações e serviços de TV e internet, contratação de serviços de segurança. O telefone dos imóveis funcionais está fora do cotão: é de uso livre, sem franquia.
(3) Auxílio-moradia. O valor indicado representa a média de gastos de acordo com o uso do benefício em cada época. Em 2011, o valor era de R$ 3 mil por mês. Em 2013, vai subir para R$ 3.800, aumento de 26,67%. Mas só quem não usa apartamento funcional tem direito ao benefício. Em março de 2011, 270 deputados não usavam apartamentos e, portanto, recebiam auxílio. Em março de 2013, 207 deputados usavam o benefício, 300 moravam em um dos 432 imóveis existentes e 5 não usavam os apartamentos funcionais e nem recebiam o auxílio.
(4) Saúde. O valor se refere à média de gastos por parlamentar. Em 2011, foram R$ 2,01 milhões; em 2012 (último ano fechado), R$ 1,47 milhão. Os deputados só são ressarcidos em serviços médicos que não puderem ser prestados no Departamento Médico (Demed) da Câmara, em Brasília.

Quanto custa um deputado federal no Brasil

 Extraído de Congresso em foco
Veja vídeo exclusivo que mostra que, em cada dia útil do ano, cada deputado brasileiro custa R$ 1.400
Entre os diversos motivos dos protestos por menos corrupção e melhores condições sociais, vários manifestantes pediam menos gastos públicos do Congresso, menos ministérios e menos despesas com o custeio da máquina pública. Vários leitores pediram ao Congresso em Foco informações atualizadas sobre quanto custa manter um deputado federal e seu gabinete.
O fato é que, hoje, um deputado custa pelo menos R$ 1.400 por dia útil, segundo novo levantamento da reportagem. O valor pode ser até maior porque não foram considerados os feriados nacionais. Entre salários (quase R$ 27 mil por mês), verba para despesas de trabalho (R$ 33 mil em média) e recursos para pagar salários de assessores (R$ 78 mil), um único deputado custa R$ 140 mil mensais, ou R$ 1,8 milhão por ano.
A Câmara gasta R$ 919 milhões por ano para bancar a manutenção do mandato dos 513 deputados.
Vídeo de Danilo Almeida explica todos os benefícios de um deputado
Carros e papel
Os parlamentares ainda dispõem de uma série de benefícios mais difíceis de se mensurar. Têm à sua disposição 11 carros oficiais. Mas os veículos só atendem ao presidente da Câmara, aos outros seis integrantes titulares da Mesa Diretora (vice e secretários), ao procurador parlamentar, à procuradora da Mulher, ao ouvidor da Casa e ao presidente do Conselho de Ética.
Cada gabinete ainda tem direito a várias impressões de publicações e de material de expediente. São até 15 mil folhas de A4 por mês, por exemplo, além de pastas, blocos e cartões. E os deputados podem publicar, todo ano, 200 mil páginas de publicações, o que significa 4 mil exemplares de 50 páginas, por exemplo.
Pago x entregue
O vídeo acima foi produzido pelo publicitário Danilo Pereira Almeida, 28 anos, morador de Coronel Fabriciano (MG), a 200 km a leste de Belo Horizonte, no Vale do Aço. Ele participava de protestos em Timóteo (MG), onde trabalha, enquanto terminava de criar a animação, com base em informações do Congresso em Foco.
Um dos motivos de fazer o vídeo foi a percepção de que parte dos benefícios dos parlamentares é usada para fins pessoais. “Há viagens para casos pessoais e mordomias mesmo”, disse Danilo à reportagem, por telefone. O publicitário entende que os valores pagos podem não ser altos, mas isso ainda esconderia um problema de qualidade na representação política. “Os valores estão acima do que eles ‘entregam’ à sociedade, independentemente de serem altos ou não.”