terça-feira, 11 de março de 2014

Sertão Nordestino

O sertão, marcado pelo clima semiárido e pela caatinga, um tipo de mata rala, formada essencialmente por arbustos espinhentos e plantas cactáceas, capazes de armazenar água por muito tempo, dos quais os mais famoso na área é o mandacaru, que chega a atingir 3 metros de altura.
No sertão, conhecem-se basicamente duas estações anuais: o inverno, que se estende de dezembro a junho e é a estação das chuvas; e o verão, de julho a novembro, quando as chuvas não ocorrem. Desse modo, um "inverno" em que não chova já significa um ano de seca e, com freqüência, esse período pode-se estender a dois ou três anos.
Resultado: os rios transformam-se em estradas poeirentas, as roças não produzem, o gado morre de sede. Com a falta de água, vêm a falta de comida e de trabalho - o que levou, ao longo dos tempos, a população do semi-árido a migrar para diversas regiões do Brasil.

Colonização tardia

Desse modo, o semi-árido foi colonizado tardiamente em relação às outras regiões. Suas terras se prestaram principalmente para a criação de gado - bovino e caprino -, o couro se tornou uma das fontes de renda principal da economia e da vida sertaneja, os grandes proprietários arrendavam suas terras aos pobres, que mantinham em relação a eles uma relação quase servil - como na Europa medieval. Na verdade, devido ao isolamento e à existência de uma economia de subsistência quase auto-suficiente, hábitos, costumes e crenças dos primeiros tempos da colonização ali sobreviveram até as primeiras décadas do século 20.
Durante a colonização do sertão, as sesmarias - lotes de terras cedidas aos fidalgos -desbravadores - eram conquistadas aos índios, seus habitantes originais. Para isso, os desbravadores formavam milícias de homens armados que, uma vez exterminada a ameaça indígena, passavam a proteger seus senhores de aventureiros rivais.
As disputas pela posse de terras freqüentemente tornavam-se rixas de famílias que se prolongavam por gerações. Já no século 19, esses homens de armas tornaram-se "jagunços", ou capangas dos latifundiários, vivendo como agregados em suas terras e prestando-lhes serviços: proteção, expulsão de posseiros ou moradores indesejados, assassinatos de rivais e desafetos, etc.

Rixas e politicagem

Com a Independência e o Império, muitas rixas e conflitos ganharam caráter político partidário, tornando-se disputas pelo poder regional. A situação manteve-se a mesma com a Proclamação da República. Por volta dessa época, os chefes políticos locais tornaram-se conhecidos como coronéis, patente da Guarda Nacional, além de ser comprada, não era mais que uma forma de obter um título de prestígio militar que desse um caráter mais oficial ao poder exercido de fato pelo titular.
Ao mesmo tempo, à medida que as terras se desmembravam com a morte de seus proprietários, que a situação política mudava, que a conjuntura sertaneja ia sofrendo pequenas alterações, muitos jagunços acabaram formando bandos independentes, que serviam a este ou aquele coronel de acordo com suas conveniências de momento, ou ainda que sobreviviam às custas do saque a arraiais, vilas e pequenas cidades. Aos poucos, passaram a ser conhecidos como cangaceiros.
A palavra deriva de "canga", um dos arreios que prendia os bois ao carro, provavelmente por este se assemelhar ao modo como os bandoleiros cruzavam sobre o peito a correia de seus rifles e os cinturões de munição.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Elísio Maia e o voto secreto

Político matreiro, polêmico e líder. Estes são alguns dos atributos do cidadão da Terra de Jaciobá Elísio da Silva Maia. Prefeito por muitas vezes de Pão de Açúcar, deputado estadual outras tantas e líder na região do Baixo São Francisco, enquanto vivo, combatido por uns e elogiados por outros, porém um líder político incontestável.
Tive a oportunidade de conhecê-lo em sua propriedade, Torrões. De outra feita estive em seu gabinete, por mais de uma hora, e vi a enorme quantidade de pessoas que adentraram àquele recinto para solicitar alguma coisa ou mesmo conselhos. Não vi, uma única vez, ele dar um "não". Pelo contrário, às vezes até exagerou.
Foi o caso em que ele deu duas autorizações para uma ambulância levar dois doentes, no mesmo horário, para destinos diferentes, deixando o motorista confuso, vindo a perguntar como faria.
- Meu filho, dê um jeito! Dê um jeito, meu filho! Fale com Armando e arranje outro transporte! É caso de doença e não posso deixar o meu povo sofrer!
Por casos assim é que surgiram muitas estórias ao seu respeito. Contam que, certa vez, a filha de um dos seus amigos foi nomeada professora sem ser formada nessa área. Exerceu durante muito tempo essa função até que, numa fiscalização, foi constatada a falta do diploma da professora e o gestor do município foi aconselhado a demiti-la. Matutou um pouco. Não poderia ferir o seu correligionário. Olhou para os algozes que o aconselharam a fazer tamanho ato e disse:
- Está certo! Vou atender ao pedido de vocês! Mas, antes, batam uma Portaria aposentando a coitada da moça! - Virou as costas e foi embora, na maior tranqüilidade, diante da solução dada ao problema.
Em outra ocasião, um amigo seu prestou um concurso para juiz de Direito aqui, em Alagoas. Tempos depois foi publicado, no Diário Oficial, o resultado. Passaram nove candidatos, e o seu amigo fora classificado em décimo lugar. Claro que, diante dos fatos, não seria nomeado. Não seria, mas foi. Vejamos o motivo e o argumento para a nomeação: o prefeito fez uma visita às autoridades competentes daquela área e foi direto ao assunto com o chefe. Argumentou que o candidato era seu amigo, que precisava desse emprego, que era um rapaz inteligente... e por aí foi enumerando atributos e necessidades do seu afilhado.
O funcionário abriu a gaveta do seu birô, pegou um papel que continha a relação dos aprovados e mostrou ao solicitante. Este olhou, leu, passou a mão no queixo, simplesmente virou a folha do papel de cabeça para baixo e disse:
- Agora este "10", virado, fica como? Resposta: 01. Pois é, agora ele está aprovado em primeiro lugar! Não lhe disse que o meu amigo é competente?
A partir do segundo colocado, a seqüência ficou em ordem decrescente! O afilhado já é juiz aposentado.
Tem outra estória interessante que ocorreu durante uma das inúmeras eleições de que ele participou e foi eleito. Nessa ocasião ficou em pé numa seção eleitoral, e todo eleitor que chegava era abordado por ele com o seguinte argumento: fazia questão de votar no lugar daquele eleitor para que o seu correligionário não tivesse todo esse trabalho. Pegava o título – depois de tudo assinado – e se dirigia à cabine para sufragar o candidato "escolhido" pelo eleitor. Fazia isso e devolvia o documento com o devido agradecimento.
E assim transcorreu durante todo o dia da eleição no mister de não deixar os seus conterrâneos se cansarem, até que chegou um beIradeiro, forte, que logo foi abordado com o mesmo refrão, mas o conterrâneo do prefeito estranhou e não quis aceitar. Depois de um bom tempo e de "argumentos convincentes", o cidadão concordou, entregou o título e o candidato foi fazer o favor ao eleitor. Porém, quando entregou de volta o documento ao seu legítimo dono, o mesmo perguntou:
- "Seu" Elísio, o Senhor poderia me dizer em quem eu votei?
O ilustre alcaide olhou para ele com espanto e colocou um dedo em seus lábios – naquele sinal que quer dizer "Psiu" –, acompanhado de uma frase verdadeira:
- Meu filho, o voto é secreto! Não é para ninguém saber!
Encerrou o papo, agradeceu a confiança e partiu para outras seções com a finalidade de garantir que os seus conterrâneos não tivessem trabalho, bem como pregar o uso do voto sigiloso!

Na noite que Elísio Maia chorou fazia frio em Pão de Açúcar

Fomos para Pão de Açúcar com a pauta definida numa só pergunta para ser feita ao saudoso  e famoso Elísio Maia.
- O senhor mandou matar o prefeito Ênio Ricardo?
A pergunta era essa e exigia jeito para ser feita. Fomos com o repórter fotográfico Dárcio Monteiro e o Nelson, que era o motorista.
 Chegamos quase que no final da tarde e decidimos procurar o “seu Elísio” no dia seguinte; eu sabia que ele se recolhia cedo para dormir e também acordava cedo
Já estávamos na estrada para a Fazenda Torrões e decidimos parar num barracão, onde havia uma festa. Logo reconheceram o carro da Gazeta.
- O que vocês estão fazendo aqui? – perguntou o dono do barracão.
- Viemos entrevistar o seu Elísio, mas já está escurecendo e ele dorme cedo. A gente decidiu entrevistá-lo amanhã de manhã.
Cerca de 20 minutos depois aparece um portador montado num cavalo e diz pra gente que o seu Elísio está nos esperando na fazenda. Já estava escuro e fazia muito frio, mas fomos lá.
Seu Elísio nos recebeu na varanda da casa grande, de pijama azul, o revólver na cintura, mas solícito. Um dos seguranças dele cismou com o Nelson, porque não saiu de dentro do carro; o Nelson estava com frio e procurava se agasalhar.
Mas nada sério; o segurança logo entendeu.
Fizemos várias perguntas e deixamos a principal, a que moveu a pauta, por último. Aí eu criei coragem:
- Seu Elísio, o senhor mandou matar o prefeito Ênio Ricardo?
Foi o momento mais tenso. Seu Elísio ensaiou se levantar da cadeira e tornou a se sentar, mas bradou de dedo em riste:
- Caboclo! Me respeite! Eu recebo você na minha casa e você vem perguntar uma coisa dessa? Eu não mandei matar ninguém, ta ouvindo caboclo!
A coragem já estava se esvaindo, mas ainda pude explicar:
- Seu Elísio, eu tinha que fazer essa pergunta ao senhor. Eu vim aqui para isso. Mas com todo respeito.
Gente! Temos aí como testemunhas o companheiro Dárcio Monteiro e o Nelson. O seu Elísio decidiu contar-me a vida dele desde o assassinato do líder político de Pão de Açúcar, Joaquim Rezende, pai do ex-deputado estadual e ex-prefeito Cacalo.
Contou e chorou. Parecia uma despedida, porque foi a última entrevista dele; foi a última vez que recebeu e conversou com um jornalista.
Seu Elísio enxugava as lágrimas na camisa do pijama; não sei se era choro de arrependimento ou de pedido de perdão. E eu ainda tive a ousadia de perguntar:
- Por que o senhor matou o Joaquim Rezende?
- Porque ele me empurrou. Ele estava discutindo com meu irmão e eu cheguei, e ele me empurrou dizendo: sai pra lá, Elísio! Me empurrou assim, com as mãos no meu peito.
E assim nós podemos dizer que vimos o Elísio Maia chorar. Não sei se outras pessoas viram outras vezes, mas naquela noite fria na Fazenda Torrões só estavam eu, o Dárcio, o Nelson, três seguranças dele e a empregada.
Ao sairmos, um dos seguranças pegou-me pelo braço e pediu para não divulgar nada na GAZETA. E eu concordei e cumpri. Pelo menos, enquanto o seu Elísio esteve vivo.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Os marqueteiros da política na civilização do espetáculo

Diário da Manhã
Salatiel Soares Correia
A política de hoje, certamente, não é igual à de ontem. Os valores universais que fundamentavam a vida pública de fato empobreceram. Se ontem preponderavam, na cena política do País, personalidades do jaez de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Oswaldo Aranha ou Celso Furtado, todos homens de Estado com visão de mundo, nos dias de hoje, o que presenciamos é o predomínio da pequena política mais preocupada não com os destinos da nação, mas com sua própria sobrevivência nas próximas eleições.
Basta ver quem, hoje, comanda as grandes casas políticas desta nação continente e compará-los com quem anteriormente citei nestes escritos. A diferença de envergadura é enorme. O que levou Getúlio Vargas ao poder não foi a imagem, mas um importante processo político que se constituiu na vitoriosa Revolução de 1930. Fatores muito diferentes conduziram o ex-presidente Fernando Collor à presidência da República.  Nesta situação, predominou a imagem, a forma, enquanto que, na primeira, predominou o conteúdo, os princípios em torno de uma grande causa.
Se, antes, tínhamos um projeto de nação, este se perdeu por completo depois dos anos 1980. Se, antes, os princípios norteavam a vida política do país, o que, hoje, vemos preponderar é o culto à esperteza como reserva de valor. O aqui e agora vale mais que o legar um país melhor para a sociedade do futuro.
Vivenciamos aquilo que bem define o genial escritor peruano Mario Vargas Llosa, Nobel de literatura, como sendo a “civilização do espetáculo”. Uma civilização para a qual a forma vale mais que o conteúdo. Para Llosa, “na civilização do espetáculo, a política passou por uma banalização talvez tão pronunciada quanto a literatura, o cinema e as artes plásticas, o que significa que nela a publicidade e seus slogans, lugares-comuns, frivolidades, modas e manias ocupam quase inteiramente a atividade antes dedicada a razões, programas, ideias e doutrinas. O político de nossos dias, se quiser conservar a popularidade, será obrigado a dar atenção primordial ao gesto e à forma, que importam mais que valores, convicções e princípios”.
Veremos muito disso nas próximas eleições. Um personagem típico dessa civilização do espetáculo de que tanto nos fala o autor em seus escritos e aparece nos tempos de eleição: o marqueteiro. O marqueteiro constrói tudo que se refere à imagem de um candidato. Vende este como um produto. É exatamente aí que a forma se evidencia mais que o conteúdo.
Cabelos bem penteados, impostação da voz, promessas para a sociedade entrar no paraíso aqui mesmo na terra. Tudo meticulosamente estudado e planejado pelos marqueteiros para bem-vender o seu produto.
Muito diferentes eram aqueles tempos em que um Carlos Lacerda encantava pela oratória; de um Luís Carlos Prestes repleto de idealismo e causas revolucionárias; de Getúlio nos tempos da Segunda Guerra Mundial ou de um Juscelino Kubitschek e sua ânsia de acelerar o desenvolvimento do país de “cinquenta anos em cinco”. Em nível regional, diferente também de um Mauro Borges e seu famoso plano MB. No tocante ao estado do Tocantins, diferente daqueles tempos em que habitavam por lá o idealismo de um Souza Porto, de um João de Abreu ou até mesmo de um Teotônio Segurado. Homens que tinham uma causa e a ela dedicaram o seu viver. E assim o espetáculo faz da política de hoje uma fantasia. A forma reflete a falta de crença. É lamentável que seja assim.
(Salatiel Soares Correia, engenheiro, bacharel em Administração de Empresas, mestre em Planejamento, autor, entre outras obras, do livro A Construção de Goiás)

Coronelismo à francesa

“Coronelismo à francesa” leva milionário Serge Dassault a ser investigado
 
O senador e empresário Serge Dassault é investigado por compra de votos e lavagem de dinheiro
O senador e empresário Serge Dassault é investigado por compra de votos e lavagem de dinheiro
REUTERS/Charles Platiau
Gabriel Brust
Um senador da república milionário, octogenário e proprietário de meios de comunicação, governa durante anos uma região do interior usando práticas clientelistas e abusando da compra de votos nas regiões mais pobres para se perpetuar no poder. A descrição poderia tranquilamente ser aplicada a certos coronéis da política brasileira, não fosse pelo fato de que este senador começará hoje mesmo a responder na Justiça pelas acusações de corrupção.
Serge Dassault, o dono da quinta maior fortuna da França, será ouvido pela primeira vez pelos juízes de instrução de Paris sobre os supostos crimes de compra de votos e lavagem de dinheiro ocorridos entre 2008 e 2010. O período corresponde ao final da sua dinastia de 15 anos como prefeito da cidade de Corbeil-Essonnes, cerca de 30 quilômetros ao sudeste de Paris.
Dassault é, com frequência, descrito como o Cidadão Kane francês – uma referência ao magnata da imprensa americana William Hearst, eternizado no filme de Orson Welles. O seu grupo industrial atua nos mais diferentes mercados. O braço armamentista, por exemplo, fabrica os aviões Rafale, que a França tentou, sem sucesso, vender ao Brasil. Na mídia, Dassault possui o jornal conservador Le Figaro, um dos mais tradicionais da França.
A permanente proximidade com o poder impulsionou o crescimento da fortuna da família, segundo o especialista em crimes financeiros Thierry Colombié: "O Estado na França e todas as pessoas que podem ter uma posição dominante no Estado se aproveitam plenamente”, afirma Colombié. “É um caixa muito importante. Se você tem uma posição de senador ou deputado e ao mesmo tempo é um homem de negócios e ainda recebe subvenções para fabricar helicópteros, aviões e armas, você só pode ficar em uma posição dominante."
Tentativa de assassinato
Segundo as acusações, o milionário teria transformado a cidade de Corbeil-Essones em um feudo particular, controlando os bairros pobres através do suborno sistemático de líderes populares para vencer as eleições. Dessa forma, conseguiu transformar uma região tradicionalmente socialista em um bastião da direita francesa de 1995 até os dias atuais.
Os valores que circularam no esquema chegariam a 7 milhões de euros e parte desse dinheiro pode ser também a responsável por uma tentativa de assassinato – a cereja do bolo deste cenário de contornos mafiosos. Um dos braços direitos de Dassault, Younès Bounouara hoje está preso por ter dado um tiro em outro morador do bairro de Tarterêts. O cerne da disputa teria sido uma bolada de 2 milhões de euros que Bounouara recebeu de Dassault para distribuir na região. O milionário admite ter repassado a soma, mas nega que o dinheiro fosse destinado a suborno.
Para Thierry Colombié, o caso é inédito na política francesa de várias formas: "O que é ainda mais raro neste caso é que temos suspeitas de pagamento oculto, suspeitas de extorsão e tentativa de assassinato. Temos traficantes que são utilizados pelo sistema para comprar votos. O que é interessante nesse sistema de compras de voto é que não se trata simplesmente de se apropriar dos votos, mas principalmente restaurar um clima de paz social em bairros perigosos."
Quebra da imunidade parlamentar
As suspeitas sobre os supostos crimes começaram em 2009, a partir de depoimentos de moradores do mesmo bairro de Tarterêts, famoso por seu intenso tráfico de drogas. Dassault, hoje senador eleito pela mesma região, conseguiu se proteger das investigações graças à imunidade parlamentar. Tudo mudou na semana passada, quando o senado francês decidiu retirar a imunidade, após o terceiro pedido da Justiça. O próprio senador pediu a retirada, afirmando que poderá provar a sua inocência ao longo do processo. A questão é saber se ele terá forças para tanto.
Aos 89 anos, Dassault será interrogado em pleno hosptial Hotel-Dieu, devido a sua saúde fragilizada. Ele terá autorização da justiça para passar a noite em casa, mas deverá se reapresentar para novo interrogatório na manhã de quinta-feira (20).
O cientista político brasileiro Roberto Fragale, professor da Univesidade Federal Fluminense, ressalva que apesar das semelhanças aparentes, na essência o caso não se aproxima do coronelismo como o conhecemos no Brasil. A figura poderosa de Dassault no cenário nacional e até mesmo internacional o tornam uma figura única: “É um pouco mais complexo. A relação de Serge Dassault com o país é diferente. Temos uma inserção um pouco distinta. Embora tenhamos circunstâncias como a alegação de compra de votos, e é preciso cautela porque são até agora alegações,não temos necessariamente as mesmas conjunturas que possibilitem fazer essa associação entre coronelismo e esta denúncia.”