terça-feira, 1 de abril de 2014
segunda-feira, 31 de março de 2014
Política de filhotes
Por Wilson Nogueira
Daqui a pouco, em outubro, vamos às urnas novamente. Muito melhor assim,
mas não devemos tomar a eleição – ou ao menos qualquer eleição – como
sinônimo absoluto de democracia. Ainda precisamos superar as
contradições que se aprofundaram e se aprofundam no processo eleitoral
brasileiro pós-ditadura militar, entre as quais, a ideia de que esses
partidos conservadores e neoconservadores representam, necessariamente,
as vontades convergentes e divergentes das sociedades, das comunidades,
das cidades, dos lugares etc.
A democracia, como conceito ou prática, não se encerra na
partidarização das ideias e/ou na particularização das práticas, embora
elas sejam parte importante e necessária à agitação das contradições
sociais presentes e ao surgimento dos novos momentos. Não se trata,
aqui, da negação da política partidária, mas da sua reelaboração ou
refundação nos termos da soberania popular. O que ocorre, hoje, no
Brasil, no geral, é que a política partidária nega a própria política
como civilidade, polidez e delicadeza e, assim, se transforma em
astúcia, grosseria e indelicadeza.
O Brasil precisa de partidos políticos, sim, mas daqueles que vierem
respeitar povo como soberano de suas vontades, desejos e aspirações.
Novos partidos, porém, dependem de uma nova política que gere novos
políticos. O problema, então, passa a ser este: como gerar o novo a
partir do velho? Inexiste uma resposta acabada, mas, talvez, não haja
outro lugar para encontrá-la a não ser nas incertezas das vivências
cotidianas. Aliás, a esse respeito só haveria mesmo uma certeza: a de
que a política brasileira precisa se reinventar e que essa reinvenção
não será suscitada nem realizada por espontânea vontade dos partidos e
dos políticos.
As mudanças dependem, prioritariamente, das articulações das sociedades na busca da manifestação de origem da democracia como “vontade soberana do povo”. Isso implica no afastamento dos sistemas oligárquicos, dos conglomerados econômicos, das confissões religiosas, dos latifundiários, dos coronéis de barranco etc. do domínio dos destinos do país. Esses grupos se adonaram da soberania da pátria, por meio do controle das suas instituições representativas, desde os primeiros passos da redemocratização do país, conquistada com sangue e suor do povo. Numa democracia plena, todas as forças sociais são representadas sem sobreposições de poder.
No Brasil, essas forças retrógradas e reacionárias se apoderaram e hoje controlam, inclusive pela chantagem e dinheiro, até mesmo partidos e/ou segmentos partidários que surgiram com o propósito de combatê-las. Assim, não há reforma política democrática, não há reformas sociais de base, como nos setores agrários e midiáticos; não há acolhimento das emergências sociais, como a redistribuição justa da riqueza e igualdade oportunidade na educação ou no mercado de trabalho; não existe renovação nos quadros da política…
Essas questões denunciam que os partidos políticos, em especial os que se forjaram no pensamento revolucionário, se perderam ou se entaniçaram no cipoal das convivências e conveniências armado pelo poder e pelos poderosos. Não há, diante desse quadro desesperador e preocupante, outra tendência senão a da repetição de velhas figuras, algumas muitíssimas desbotadas, nas eleições de outubro próximo. O Amazonas não foge a essa triste realidade: “filhotes” do coronelismo de barranco traçam suas estratégias e táticas para ver quem assumirá o controle dos cofres do estado e da elaboração das leis. Nos bastidores desse jogo, faltam teses e propostas que vislumbrem a democracia como ideia e prática do poder soberano do povo, mas sobra esperteza para tentar convencer os eleitores de que “todos nós” estaremos bem representados no executivo e no legislativo da “(res) publica”.
Nas manifestações gerais de rua em junho do ano passado e em outras mais pontuais e com menor repercussão, a população emitiu sinais de profunda insatisfação com os partidos políticos e seus modos de fazer política sem ou com participação popular restrita. Se não fizessem ouvidos moucos à voz das ruas, os políticos teriam realizado reformas importantes, entre as quais, a que venha a democratizar o pensar e o fazer políticos, seja por meio dos partidos e/ou por meio de outras formas de representação social. O que se percebe desse e de outros fatos é que as mudanças sociais dependem das estratégias e táticas da população – e não dos políticos – nas urnas e nas ruas.
As mudanças dependem, prioritariamente, das articulações das sociedades na busca da manifestação de origem da democracia como “vontade soberana do povo”. Isso implica no afastamento dos sistemas oligárquicos, dos conglomerados econômicos, das confissões religiosas, dos latifundiários, dos coronéis de barranco etc. do domínio dos destinos do país. Esses grupos se adonaram da soberania da pátria, por meio do controle das suas instituições representativas, desde os primeiros passos da redemocratização do país, conquistada com sangue e suor do povo. Numa democracia plena, todas as forças sociais são representadas sem sobreposições de poder.
No Brasil, essas forças retrógradas e reacionárias se apoderaram e hoje controlam, inclusive pela chantagem e dinheiro, até mesmo partidos e/ou segmentos partidários que surgiram com o propósito de combatê-las. Assim, não há reforma política democrática, não há reformas sociais de base, como nos setores agrários e midiáticos; não há acolhimento das emergências sociais, como a redistribuição justa da riqueza e igualdade oportunidade na educação ou no mercado de trabalho; não existe renovação nos quadros da política…
Essas questões denunciam que os partidos políticos, em especial os que se forjaram no pensamento revolucionário, se perderam ou se entaniçaram no cipoal das convivências e conveniências armado pelo poder e pelos poderosos. Não há, diante desse quadro desesperador e preocupante, outra tendência senão a da repetição de velhas figuras, algumas muitíssimas desbotadas, nas eleições de outubro próximo. O Amazonas não foge a essa triste realidade: “filhotes” do coronelismo de barranco traçam suas estratégias e táticas para ver quem assumirá o controle dos cofres do estado e da elaboração das leis. Nos bastidores desse jogo, faltam teses e propostas que vislumbrem a democracia como ideia e prática do poder soberano do povo, mas sobra esperteza para tentar convencer os eleitores de que “todos nós” estaremos bem representados no executivo e no legislativo da “(res) publica”.
Nas manifestações gerais de rua em junho do ano passado e em outras mais pontuais e com menor repercussão, a população emitiu sinais de profunda insatisfação com os partidos políticos e seus modos de fazer política sem ou com participação popular restrita. Se não fizessem ouvidos moucos à voz das ruas, os políticos teriam realizado reformas importantes, entre as quais, a que venha a democratizar o pensar e o fazer políticos, seja por meio dos partidos e/ou por meio de outras formas de representação social. O que se percebe desse e de outros fatos é que as mudanças sociais dependem das estratégias e táticas da população – e não dos políticos – nas urnas e nas ruas.
terça-feira, 18 de março de 2014
Frei Betto: 'Ovo da serpente vinha sendo chocado pelas classes dominantes'
Teólogo comenta mudanças sociais
promovidas antes da instauração no país da ditadura, que completa 50
anos em abril. Influência norte-americana impediu reformas propostas
pelo governo João Goulart
Redação RBA
publicado
17/03/2014
As reformas de base de João Goulart foram barradas pelo golpe que instaurou o regime de exceção no Brasil
São Paulo – O contexto sociopolítico
anterior ao golpe civil-militar que instaurou a ditadura no Brasil em
1º de abril de 1964 foi o tema do comentário de hoje (17) do teólogo
Frei Betto à Rádio Brasil Atual. Para ele, a
turbulência política da Guerra Fria, com o mundo dividido entre o
socialismo da União Soviética e o capitalismo norte-americano despertou,
entre os brasileiros, “o gigante adormecido em berço esplêndido” para a
necessidade de reformas sociais no governo João Goulart. No entanto, o
teólogo afirma que a população “não tinha suficiente lucidez para
perceber que, desde a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961, o
ovo da serpente vinha sendo chocado pelas classes dominantes”.
Este foi o primeiro comentário de uma série sobre os 50 anos de
história brasileira desde a instauração da ditadura que será feita por
Frei Betto ao longo deste mês e de abril. A efervescência política do
governo de Goulart é retratada pelo teólogo como o surgimento de uma
nova conjuntura socioeconômica. “Tudo era novo: a bossa nova, o cinema
novo, a literatura nova, a nova capital, Brasília”. O método de ensino de Paulo Freire, através da alfabetização dos pobres em Angicos (RN), foi o impulso para a gestação da chamada Pedagogia do Oprimido. A defesa da reforma agrária pelas ligas camponesas e criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), dirigida por Celso Furtado e aliada ao governador de Pernambuco à época, Miguel Arraes, foram, na visão do comentarista, formas de livrar a região do coronelismo arraigado desde a República Velha.
Entretanto, Frei Betto afirma que as reformas promovidas por João Goulart eram vistas pelos Estados Unidos (EUA) como uma demonstração de avanço do comunismo na América Latina. A desconfiança e o imperialismo norte-americano foram motivos para que os EUA financiassem o golpe civil-militar no Brasil e depusessem Goulart em 1964. A empreitada teve apoio do empresariado brasileiro, que se articulava no Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad) e no Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais (Ipes).
“O presidente norte-americano Lyndon Johnson, que governou o país de 1963 a 1969, estava convencido de que o Brasil era tão vulnerável à influência soviética quanto o Vietnã. Estados Unidos jamais admitiriam que Brasil se tornasse sequer um país independente das órbitas ianque e soviética”, explica.
O regime antidemocrático fez com que a população pobre, desejosa por reformas sociais e econômicas, se tornasse dependente de "migalhas" norte-americanas, como as cestas básicas distribuídas pelo programa de expansão do capitalismo na América Latina, Aliança Para o Progresso, como conta Frei Betto.
terça-feira, 11 de março de 2014
Mulheres candidatas e eleitas
Câmara dos Deputados
Em 1998: 10,4% de candidatas // 5,6% eleitas
Em 2012: 19,4% de candidatas // 8,7% eleitas
Assembleias Legislativas e Câmara Legislativa do Distrito Federal
Em 1998: 12,9% de candidatas // 10% eleitas
Em 2012: 21,1% de candidatas // 12,8% eleitas
Câmaras Municipais:
Em 1996: 10,9% candidatas // 10,9% eleitas
Em 2012: 32,6% candidatas // 13,4% eleitas
Governos Estaduais
Em 1998: 8% candidatas // 3,7% eleitas
Em 2012: 11% de candidatas // 7,4% eleitas
Do alto de seus cargos
663 mulheres comandam prefeituras atualmente (12% do total).
45 mulheres foram eleitas deputadas federais nas eleições de 2010 (8,7% do total).
11 senadoras foram eleitas nas eleições de 2010 (13,3% do total).
2 mulheres ocupam o governo do seu estado pelas últimas eleições ( 7,4% do total).
156º é a posição do Brasil em um ranking de 188 países sobre presença das mulheres no Legislativo.
Fontes: Cfemea e Tribunal Superior Eleitoral
Em 1998: 10,4% de candidatas // 5,6% eleitas
Em 2012: 19,4% de candidatas // 8,7% eleitas
Assembleias Legislativas e Câmara Legislativa do Distrito Federal
Em 1998: 12,9% de candidatas // 10% eleitas
Em 2012: 21,1% de candidatas // 12,8% eleitas
Câmaras Municipais:
Em 1996: 10,9% candidatas // 10,9% eleitas
Em 2012: 32,6% candidatas // 13,4% eleitas
Governos Estaduais
Em 1998: 8% candidatas // 3,7% eleitas
Em 2012: 11% de candidatas // 7,4% eleitas
Do alto de seus cargos
663 mulheres comandam prefeituras atualmente (12% do total).
45 mulheres foram eleitas deputadas federais nas eleições de 2010 (8,7% do total).
11 senadoras foram eleitas nas eleições de 2010 (13,3% do total).
2 mulheres ocupam o governo do seu estado pelas últimas eleições ( 7,4% do total).
156º é a posição do Brasil em um ranking de 188 países sobre presença das mulheres no Legislativo.
Fontes: Cfemea e Tribunal Superior Eleitoral
Sertão Nordestino
O sertão, marcado pelo clima semiárido e pela caatinga,
um tipo de mata rala, formada essencialmente por arbustos espinhentos e
plantas cactáceas, capazes de armazenar água por muito tempo, dos quais
os mais famoso na área é o mandacaru, que chega a atingir 3 metros de
altura.
No sertão, conhecem-se basicamente duas estações anuais: o inverno, que se estende de dezembro a junho e é a estação das chuvas; e o verão, de julho a novembro, quando as chuvas não ocorrem. Desse modo, um "inverno" em que não chova já significa um ano de seca e, com freqüência, esse período pode-se estender a dois ou três anos.
Resultado: os rios transformam-se em estradas poeirentas, as roças não produzem, o gado morre de sede. Com a falta de água, vêm a falta de comida e de trabalho - o que levou, ao longo dos tempos, a população do semi-árido a migrar para diversas regiões do Brasil.
Durante a colonização do sertão, as sesmarias - lotes de terras cedidas aos fidalgos -desbravadores - eram conquistadas aos índios, seus habitantes originais. Para isso, os desbravadores formavam milícias de homens armados que, uma vez exterminada a ameaça indígena, passavam a proteger seus senhores de aventureiros rivais.
As disputas pela posse de terras freqüentemente tornavam-se rixas de famílias que se prolongavam por gerações. Já no século 19, esses homens de armas tornaram-se "jagunços", ou capangas dos latifundiários, vivendo como agregados em suas terras e prestando-lhes serviços: proteção, expulsão de posseiros ou moradores indesejados, assassinatos de rivais e desafetos, etc.
Ao mesmo tempo, à medida que as terras se desmembravam com a morte de seus proprietários, que a situação política mudava, que a conjuntura sertaneja ia sofrendo pequenas alterações, muitos jagunços acabaram formando bandos independentes, que serviam a este ou aquele coronel de acordo com suas conveniências de momento, ou ainda que sobreviviam às custas do saque a arraiais, vilas e pequenas cidades. Aos poucos, passaram a ser conhecidos como cangaceiros.
A palavra deriva de "canga", um dos arreios que prendia os bois ao carro, provavelmente por este se assemelhar ao modo como os bandoleiros cruzavam sobre o peito a correia de seus rifles e os cinturões de munição.
No sertão, conhecem-se basicamente duas estações anuais: o inverno, que se estende de dezembro a junho e é a estação das chuvas; e o verão, de julho a novembro, quando as chuvas não ocorrem. Desse modo, um "inverno" em que não chova já significa um ano de seca e, com freqüência, esse período pode-se estender a dois ou três anos.
Resultado: os rios transformam-se em estradas poeirentas, as roças não produzem, o gado morre de sede. Com a falta de água, vêm a falta de comida e de trabalho - o que levou, ao longo dos tempos, a população do semi-árido a migrar para diversas regiões do Brasil.
Colonização tardia
Desse modo, o semi-árido foi colonizado tardiamente em relação às outras regiões. Suas terras se prestaram principalmente para a criação de gado - bovino e caprino -, o couro se tornou uma das fontes de renda principal da economia e da vida sertaneja, os grandes proprietários arrendavam suas terras aos pobres, que mantinham em relação a eles uma relação quase servil - como na Europa medieval. Na verdade, devido ao isolamento e à existência de uma economia de subsistência quase auto-suficiente, hábitos, costumes e crenças dos primeiros tempos da colonização ali sobreviveram até as primeiras décadas do século 20.Durante a colonização do sertão, as sesmarias - lotes de terras cedidas aos fidalgos -desbravadores - eram conquistadas aos índios, seus habitantes originais. Para isso, os desbravadores formavam milícias de homens armados que, uma vez exterminada a ameaça indígena, passavam a proteger seus senhores de aventureiros rivais.
As disputas pela posse de terras freqüentemente tornavam-se rixas de famílias que se prolongavam por gerações. Já no século 19, esses homens de armas tornaram-se "jagunços", ou capangas dos latifundiários, vivendo como agregados em suas terras e prestando-lhes serviços: proteção, expulsão de posseiros ou moradores indesejados, assassinatos de rivais e desafetos, etc.
Rixas e politicagem
Com a Independência e o Império, muitas rixas e conflitos ganharam caráter político partidário, tornando-se disputas pelo poder regional. A situação manteve-se a mesma com a Proclamação da República. Por volta dessa época, os chefes políticos locais tornaram-se conhecidos como coronéis, patente da Guarda Nacional, além de ser comprada, não era mais que uma forma de obter um título de prestígio militar que desse um caráter mais oficial ao poder exercido de fato pelo titular.Ao mesmo tempo, à medida que as terras se desmembravam com a morte de seus proprietários, que a situação política mudava, que a conjuntura sertaneja ia sofrendo pequenas alterações, muitos jagunços acabaram formando bandos independentes, que serviam a este ou aquele coronel de acordo com suas conveniências de momento, ou ainda que sobreviviam às custas do saque a arraiais, vilas e pequenas cidades. Aos poucos, passaram a ser conhecidos como cangaceiros.
A palavra deriva de "canga", um dos arreios que prendia os bois ao carro, provavelmente por este se assemelhar ao modo como os bandoleiros cruzavam sobre o peito a correia de seus rifles e os cinturões de munição.
sexta-feira, 7 de março de 2014
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