O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.
Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e o lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.
Texto de Bertold Brecht, escritor e teatrólogo alemão (1898/1956)
"Qualquer governo é melhor que a
ausência de governo. O despotismo, por pior que seja, é preferível ao
mal maior da Anarquia, da violência civil generelizada, e do medo
permanente da morte violenta".
"A natureza fez os homens tão iguais, quanto às faculdades do corpo e do
espírito, que, embora por vezes se encontre um homem manifestantemente
mais forte de corpo, ou de espírito mais vivo do que outro, mesmo assim,
quando se considera tudo isso em conjunto, a diferença entre um e outro
homem não é suficientemente considerável para que qualquer um possa com
base nela reclamar qualquer benefício a que outro não possa também
aspirar, tal como ele".
O sistema que envolve recursos públicos
e privados ainda predomina na maioria dos países, embora esteja na
origem de sucessivos casos de corrupção
Vinícius Mendes
O financiamento de campanhas eleitorais ao redor do mundo se
tornou, a partir da metade do século 20, um dos maiores debates sobre a
democracia moderna que hoje rege a maior parte dos países. O modelo
democrático atual depende da existência de partidos políticos, que, por
sua vez, precisam arrecadar dinheiro de alguma forma para funcionarem.
Sendo assim, é óbvio que, quanto mais ricos, mais estes grupos políticos
têm capacidade de atingir o maior objetivo deles: o poder. Ao analisar a
situação, um dos cientistas políticos mais importantes da atualidade, o
francês Maurice Duverger, apontou a fragilidade do sistema: “A
democracia não está ameaçada pelo regime de partidos, mas pelo
financiamento deles”.
Um dos países de vanguarda no financiamento público de campanhas
políticas é a Alemanha, que estipulou a regra para as eleições
presidenciais de 1959. Inicialmente, o financiamento se direcionava
apenas à reposição dos custos de campanha, acontecendo nos anos
eleitorais. Em 1994, porém, a lei foi alterada, e os recursos passaram a
ser distribuídos anualmente. Desde então, para a escolha dos 620
representantes daBundestag, que equivale à Câmara
dos Deputados, vale um sistema proporcional à votação recebida nas
urnas. Os partidos apresentam listas de candidatos e o dinheiro é
direcionado de acordo com os votos que a agremiações políticas tenham
recebido em suas listas.
Na França, as campanhas políticas também são realizadas com recursos
públicos, com a proibição de doações de empresas tanto para candidatos
como para partidos políticos. A proibição de empresas ou de qualquer
outra pessoa jurídica (fundações, associações, sindicatos) de fazer
doações a políticos entrou em vigor em 1995. Foi quando ocorreu uma
reforma na legislação eleitoral na França, motivada por uma série de
escândalos sobre financiamentos ocultos recebidos pelos partidos em
1988. Mas, ao contrário do alemão, o sistema francês permite doações de
particulares: além do financiamento pelo Estado, pessoas físicas podem
doar, em uma eleição, até 4,6 mil euros (R$ 13,4 mil) a cada candidato.
Podem doar também até 7,5 mil euros (R$ 21,8 mil) por ano para cada
partido político.
Na Itália, o financiamento público foi instituído em 1974, entrando
em vigor, de fato, apenas em 1993. No entanto, um referendo popular em
1999 alterou novamente as regras, já que, na consulta, os italianos se
mostraram em desacordo com os ordenamentos. Assim, uma nova lei foi
escrita, prevendo o reembolso de despesas das propagandas eleitorais,
proporcional ao tamanho do partido, à representatividade dele no
Congresso. As empresas privadas até podem financiar partidos, mas são
obrigadas a declarar as doações, como acontece no Brasil. A Itália, no
entanto, foi e continua sendo palco de escândalos provocados por desvios
de conduta de seus políticos. Em 1992, foi deflagrada uma das operações
policiais mais famosas da história do país, a Operação Mãos Limpas, que
investigou a relação da máfia italiana com bancos, instituições
judiciais e campanhas eleitorais de parlamentares. O grande trunfo da
operação foi o testemunho de um dos principais chefes de grupos
mafiosos, Tommaso Buscetta, que havia sido preso em São Paulo, em 1983, e
deportado para a Itália.
A Operação Mãos Limpas terminou com 6.059 pessoas presas, dentre elas
872 empresários, 1.978 administradores e 438 representantes do
Legislativo, dos quais quatro haviam sido primeiros-ministros. A
corrupção no país não acabou: em junho deste ano a Guardia di Finanza
de Veneza concluiu uma grande investigação por lavagem de dinheiro,
envolvendo políticos, militares e juízes. Vinte e cinco pessoas foram
presas e outras dez colocadas sob supervisão judicial, entre elas o
atual prefeito da cidade, Giorgio Orsoni, do esquerdista Partido
Democrático, acusado de financiar ilegalmente sua campanha à prefeitura
em 2010.
Na América Latina, os sistemas tendem ao modelo misto de
financiamento de campanhas. Estudo de Daniel Zovatto, diretor para a
América Latina e Caribe da organização IDEA Internacional, mostrou que
94% dos países da região aderem à forma de financiamento eleitoral em
que os partidos políticos recebem fundos públicos e privados para
financiar suas campanhas e custear gastos de funcionamento.
É assim, por exemplo, na Argentina, onde os recursos são distribuídos
pelo Estado, mas com a autorização do aporte de pessoas físicas em
candidaturas. Pessoas jurídicas, porém, são proibidas de doar, com
exceção dos partidos, em uma dinâmica parecida à da França. No México,
as doações privadas não podem superar os financiamentos públicos, mas,
assim como na Itália, a corrupção permanece. “Não deu certo (no México)
porque as empresas continuam financiando. Só que agora é pior porque
elas financiam e não se tem nenhum tipo de conhecimento de quem está
financiando e nem de quanto está sendo financiado. Então, gerou um
problema muito maior de corrupção”, analisa Maria do Socorro Souza
Braga, professora de Ciência Política da Universidade Federal de São
Carlos (UFSCar).
Por fim, nos Estados Unidos, o financiamento de campanhas políticas
para eleições federais (Presidência, Senado e Câmara) é supervisionado
pela Federal Election Commission (FEC, na sigla em inglês), uma
agência federal independente. A maior parte do financiamento vem de
fontes privadas — que podem ser pequenos doadores individuais (pessoas
que contribuem com US$ 200 ou menos), grandes doadores individuais (que
contribuem com mais de US$ 200), comitês de ação política (os chamados
PACs) e grupos cívicos — ou mesmo de autofinanciamento, nos casos em que
o candidato financia a campanha com seu próprio dinheiro.
Saiba quanto ganham deputados, senadores, ministros
de governo, ministros do STF e Presidente da República, além dos
benefícios adicionais específicos de cada cargo
Deputados federais no Brasil ganham R$ 33,7
mil por mês, além de R$ 92 mil mensais de verba de gabinete, entre
outros benefícios (divulgação)
PRESIDENTE DA REPÚBLICA. Salário mensal:R$ 30,9 mil. Moradia: Duas residências oficiais em Brasília – o Palácio da Alvorada e a Granja do Torto. Plano de Saúde: Todas as despesas são pagas, incluindo as de familiares diretos. Cotas: Não tem. A Presidência tem cartões corporativos, cujo limite varia de acordo com o orçamento. Passagens: Viaja em aviões da FAB tanto em missões oficiais quanto em viagens de âmbito particular. Cargos de confiança: Não há limites. Depende da criação de cargos autorizada pela Presidência. MINISTROS DE GOVERNO. Salário mensal: R$ 30,9 mil. Moradia: Residência oficial ou auxílio moradia de R$ 6,6 mil. Plano de Saúde: Não têm assistência específica, exceto se tiverem sido servidores públicos. Cotas: Não têm. Têm acesso a cartão corporativo com limite que varia de acordo com o orçamento de cada ministério. Passagens: Em missões oficiais, podem usar aviões da FAB ou voos de carreira.
Cargos de confiança: Não há limites. Depende da criação de cargos autorizada pela Presidência. MINISTROS DO STF Salário mensal: R$ 33,7 mil. Moradia: Residência oficial ou auxílio-moradia de R$ 4,3 mil. Plano de Saúde: Pagam plano de saúde específico do STF. Dependentes e cônjuges podem ser incluídos na cobertura. Cotas: Não têm direito a
cotas ou verbas de gabinete e nem acesso a cartões corporativos. Cada
ministro tem direito a um carro oficial e motorista. Gastos com
combustível são ilimitados. Passagens: Cota anual de R$ 42,8 mil para gastos com passagens. O presidente do STF também pode viajar em aviões oficiais. Cargos de confiança:
Cada ministro pode nomear até 8 funcionários de confiança. Metade deles
deve ser concursado. O salário bruto de cada assessor é de R$ 10,3 mil. SENADORES Salário mensal: R$ 33,7 mil. Moradia: Apartamento funcional ou auxílio-moradia de R$ 4,2 mil. Plano de Saúde:
Senadores, cônjuges ou dependentes de até 21 anos (ou 24, quando
universitários), têm despesas médicas reembolsáveis. Limite para
despesas odontológicas e psicoterápicas é de R$ 25,9 mil. Cotas: Cota
parlamentar: R$ 15 mil (paga despesas com funcionários, aluguel de
escritório de apoio, material de consumo, combustíveis, consultoria,
entre outras). Despesas extras: R$ 9 mil (custos com gráficas e
telefonia fixa). Despesas com telefone celular são ilimitadas. Passagens: Cinco trechos de passagens aéreas entre a capital do Estado do senador e Brasília por mês.
Cargos de confiança: Podem nomear funcionários em Brasília ou em seus
escritórios regionais desde que dentro do limite imposto pela cota
parlamentar que é de R$ 15 mil por mês. DEPUTADOS FEDERAIS Salário mensal: R$ 33,7 mil. Moradia: Apartamento funcional ou auxílio-moradia de R$ 4,2 mil. Plano de Saúde:
Deputados e familiares têm atendimento médico gratuito no departamento
médico da Câmara. Deputados também podem ter despesas médicas e
odontológicas realizadas na rede privada reembolsadas. A medida não se
aplica a familiares. Cotas: Cota de R$ 30,2
mil a R$ 44,9 mil (pode ser usada para pagar passagens, telefone,
Correios, fretamento de aeronaves entre outras despesas. Varia de acordo
com o Estado do parlamentar). Verba de gabinete: R$ 92 mil (destinada
ao pagamento de cargos de confiança). Passagens: Podem
comprar passagens com a verba de gabinete. A partir de 2015, as mulheres
dos deputados também poderão ter passagens pagas pela Câmara. Cargos de confiança: Têm direito a nomear até 25 funcionários cujos salários somados não podem ultrapassar R$ 92 mil.