sábado, 11 de maio de 2019

Ideologia, segundo Althusser

A ideologia, para Althusser, é a relação imaginária, transformada em práticas, reproduzindo as relações de produção vigentes. Na realização ideológica, a interpelação, o reconhecimento, a sujeição e os Aparelhos Ideológicos de Estado (AIE), são quatro categorias básicas.
Em seu discurso sobre a Ideologia é patente sua preocupação em encontrar o lugar da submissão espontânea, o seu funcionamento e suas consequências para o movimento social.
Para ele, a dominação burguesa só se estabiliza pela autonomia dos aparelhos (de produção e reprodução) isolados.
O mito do Estado, como entidade incorporada pelos cidadãos e como instituição acima da sociedade, aparece, também no estruturalismo marxista de Althusser sob a forma de "a instituição além das classes e soberana". Assim os Aparelhos Ideológicos do Estado são a espinha dorsal de sua teoria.
A teoria dos Aparelhos Ideológicos de Estado constrói uma visão monolítica e acabada de organização social, onde tudo é rigidamente organizado, planejado e definido pelo Estado, de tal sorte que não sobra mais nada para os cidadãos. Não há mais nenhuma alternativa a não ser a resignação ante o Estado onipresente e absolutamente dominante.
A visão extremamente simplista dos aparelhos ideológicos como meros agentes para garantir o desempenho do Estado e da ideologia atraiu para Althusser as freqüentes críticas de funcionalismo. Isto se deve ao fato de que ele não inclui nas suas preocupações questionamentos sobre o surgimento desses aparelhos ideológicos e sobre sua lógica, conforme a época. Não há a noção de continuidade histórica e cada fase é uma fase em si, dentro da qual as diferentes instituições se articulam, sempre de forma relativa. Assim a igreja - ou a religião -, por exemplo, não é o resultado de uma sedimentação histórico-cultural de ideias e visões do mundo, trabalho de séculos dos organizadores da cultura; não, a igreja é a instituição e seu funcionamento só é captado dentro da lógica respectiva do momento analisado. A dimensão da "tradição de todas as gerações mortas que oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos" (Marx) desaparece.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

A Política, segundo Aristóteles

A política aristotélica é essencialmente unida à moral, porque o fim último do Estado é a virtude, isto é, a formação moral dos cidadãos e o conjunto dos meios necessários para isso. O Estado é um organismo moral, condição e complemento da atividade moral individual, e fundamento primeiro da suprema atividade contemplativa. A política, contudo, é distinta da moral, porquanto esta tem como objetivo o indivíduo, aquela a coletividade.
A ética é a doutrina moral individual. A política é a doutrina moral social. Dessa ciência trata Aristóteles precisamente na política, de que acima se falou. O Estado, então, é superior ao indivíduo, porquanto a coletividade é superior ao indivíduo, o bem comum superior ao bem particular. Unicamente no Estado efetua-se a satisfação de todas as necessidades, pois o homem, sendo naturalmente animal social, político, não pode realizar a sua perfeição sem a sociedade do estado.

"Em todas as artes e ciências", disse ele, "o fim é um bem, e o maior dos bens e bem em mais alto grau se acha principalmente na ciência todo-poderosa; esta ciência é a política, e o bem em política é a justiça, ou seja, o interesse comum; todos os homens pensam, por isso, que a justiça é uma espécie de igualdade, e até certo ponto eles concordam de um modo geral com as distinções de ordem filosófica estabelecidas por nós a propósito dos princípios éticos."
  

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Nestor Duarte

É fora de dúvida que cada povo sofre o processo político de maneira mais ou menos própria que a ele se adapta diferentemente aqui e ali.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

O que é Fascismo!

Marcando de forma trágica o século XX, o fascismo é um tema que desafia os intelectuais que buscam entender sua natureza e história. De forma geral, pode-se dizer que o fascismo é uma conduta política extremamente autoritária, marcada pelo nacionalismo, pela militarização dos conflitos e por uma preocupação obsessiva com a ideia de decadência de uma comunidade ou nação. Hostil às formas modernas de democracia, o fascismo recorre a violência, criando um inimigo – interno e/ou externo – que deve ser exterminado para garantir a segurança e supremacia de um grupo considerado superior. Apesar de manifestar algumas variações – a depender da época e do lugar onde aparece – o fascismo apresenta algumas características típicas que se repetem.
Benito Mussolini
O pensamento fascista costuma emergir e ganhar força em contextos de crise – econômica, social ou política –, quando se apresenta como solução radical. Mobilizando os sentimentos legítimos de sofrimento ou injustiça, o fascismo impulsiona e enfatiza a ideia de que o grupo que defende é a grande vítima de uma situação a ser revertida. Como toda vítima tem um algoz, o fascismo aponta um inimigo que deve ser exterminado. No caso do nazismo – forma histórica mais conhecida do fascismo – a vítima eram os alemães brancos e a lista de inimigos era longa, incluindo comunistas, negros, homossexuais, ciganos e judeus. Apelando mais aos fatores emocionais que a argumentação racional, o fascismo encarna uma missão de regeneração nacional que se expressa na figura de um líder extremamente carismático responsável por salvar a nação.
No campo político institucional, o fascismo se caracteriza por um Estado forte, exercendo controle de todas as áreas sociais, e pela presença de um único partido. As decisões são tomadas de forma autoritária e hierárquica, do líder supremo até os seus subordinados. O aparato repressivo costuma contar uma polícia truculenta e bem estruturada, responsável por conter opiniões e grupos divergentes. Na esfera civil, a violência também é motivada através da organização de milícias compostas, sobretudo, pela juventude que adere ao fascismo. Exaltando a juventude e a virilidade, a estética é extremamente importante nos regimes fascistas. Propagandas, rituais e símbolos atuam mais do que os argumentos na missão de reforçar as ideias fascistas e convocar a população à participação ativa.
No espectro político, o fascismo normalmente é localizado como parte da extrema-direita. Entretanto, não é só ao socialismo que ele se opõem. Sua rejeição ao liberalismo é imensa, principalmente no que diz respeito a centralidade do indivíduo. Para o fascismo, os interesses das massas e da nação sempre se sobrepõem aos interesses individuais. Tal ética define que o indivíduo deve ser valorizado quando está a serviço da defesa patriótica. O etnocentrismo – ideia da superioridade de um grupo sobre o outro – é um traço fundamental do fascismo. A regra é a discriminação e a perseguição de todos que não forem considerados como parte da comunidade. Membros de outras raças, etnias e nacionalidades – ou mesmo aqueles que só discordem do fascismo – devem ser combatidos como uma ameaça a integridade da nação. Do ponto de vista da política externa, o fascismo tende a ser extremamente imperialista.
O nazismo alemão é normalmente o episódio mais lembrado quando se fala em fascismo. Os regimes de Mussolini na Itália e de Franco na Espanha também foram marcantes. O Brasil teve sua própria teoria nacionalista de inspiração fascista, que recebeu o nome de Integralismo. No entanto, para defender a democracia é essencial compreender a experiência histórica do fascismo para além de seus casos mais óbvios. Longe de ser um pensamento política completamente superada, os princípios e sentimentos que sustentam o fascismo são recorrentemente despertados em tempos de crise.
Bibliografia:
PAXTON, Robert. Anatomia do fascismo. São Paulo: Paz e Terra, 2007