Por: Gercinaldo Moura
É muito comum encontrarmos pessoas sendo tratadas com o titulo de “dotô”. A banalização é facilmente vista também em placa de qualquer escritório de diversos profissionais, sobretudo do direito e da medicina. Mas ser chefe de divisão de uma repartição publica ou uma empresa particular é suficiente para usufruir de tão honroso titulo.
É muito comum encontrarmos pessoas sendo tratadas com o titulo de “dotô”. A banalização é facilmente vista também em placa de qualquer escritório de diversos profissionais, sobretudo do direito e da medicina. Mas ser chefe de divisão de uma repartição publica ou uma empresa particular é suficiente para usufruir de tão honroso titulo.
Afinal de contas, quem é de fato e de direito Doutor? É bom deixar claro que ninguém é uma coisa sem a outra, pelo menos legitimamente.
Doutor é titulo de mais elevado grau nos níveis de formação acadêmica. Só tem direito a esse titulo quem desenvolveu estudo em uma área de conhecimento e em seguida elaborou e defendeu uma tese de doutorado, ante uma banca examinadora formada por renomados Doutores, que julga o sujeito merecedor do titulo.
Trata-se de um titulo conferido exclusivamente por uma instituição universitária. Assim como uma patente militar que é exclusivo de uma entidade Militar, ou um cargo eclesiástico que só a igreja pode conferir.
Mesmo um título de Doutor Honoris causa, que se trata de uma homenagem honrosa a quem não foi submetido a um julgamento de uma banca, também é um titulo de exclusiva concessão de uma Universidade.
Portanto, deve-se empregar apenas às pessoas que tenham cumprido tais exigências, e mesmo assim em circunstancias cerimoniosa. Tratamento cerimonioso é reservado a círculos formais da diplomacia, clero, governo, judiciário e meio acadêmico.
O uso inadequado desse título hoje, por pessoas que não obtiveram, nem de fato, nem de direito, não passa de uma manutenção baseada na tradição das formas de relações de poder herdadas de uma monarquia inacabada, onde os nobres do Império compravam títulos nobiliárquicos a peso de ouro para que, na qualidade de barões e duques, pudessem se aproximar da majestade imperial e divina da família real.
Portanto, Doutor não é forma de tratamento! É titulo acadêmico. O uso de quem não o conquistou pelas vias do rigor no alto nível de formação acadêmica, é pura ostentação equivocada, e não pode ultrapassar o limite da informalidade. E a atribuição do titulo a quem não o tem de verdade, é pura ignorância ou conveniência.
"O problema do fundamento de um direito apresenta-se diferentemente conforme se trate de buscar o fundamento de um direito que se tem ou de um direito que se gostaria de ter" (Noberto Bobbio).
2 comentários:
Muito Bom. Tem que ser lido pelos dotôres!!
É o que eu sempre digo, rs
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