quarta-feira, 3 de junho de 2015

Admirados pela ignorância!



Gercinaldo Moura

                

                Não é nenhuma novidade que em matéria de política, para a maioria das pessoas, não influencia o teor do discurso, mas apenas a fala, ou seja, a retórica. Do outro lado, os políticos não desejam convencer as pessoas da importância de suas propostas, eles preferem seduzir com belos discursos, para atingir suas finalidades.

                A estratégia é a mesma: O discurso deve ser bonito, não precisa necessariamente ter um conteúdo coerente, exeqüível. As pessoas, em geral, têm certa facilidade em se deixar iludir por palavras bonitas, elas não entendem nada, ou seja, uma coisa é achar a conversa bonita, outra coisa é entender claramente a conversa. Parece que encanta mais uma mentira, dita com palavras bonitas e difíceis do que uma conversa com palavras simples, clara e franca.

Quantas vezes encontramos pessoas fazendo elogios sem economias a determinados discursos ou textos sem ter entendido qualquer coisa. Até mesmo só porque ouviu falar de sua beleza ou grau de dificuldade do entendimento.

Segundo Baltazar Gracian, a maioria não estima aquilo que compreende e venera o que não compreende. “Para ter valor as coisas precisam ser difíceis: Se não o entenderem o terão em mais alta conta. Para ganhar respeito, mostre-se mais sábio e mais prudente do que seria necessário para o bom conceito do interlocutor. Mas faça-o com moderação. Os entendidos valorizam o siso, mas com os demais é bem certa imponência: mantenha-os decifrando sua mensagem, e não lhes de oportunidade de criticá-lo”. Muitos elogiam sem que consigam dizer o que seja. Veneram tudo o que é oculto ou misterioso, e elogiam porque ouvem elogiar.

As pessoas também se interessam e gostam do discurso que elas gostariam que fossem verdades, mesmo que a realidade mostre o contrário.

Ainda mais: Tendem a acreditar na opinião da maioria, mesmo que essa maioria não tenha uma explicação. Mas acreditam que esta seja a verdade só porque é a opinião da maioria.

Para ser admirado pela ignorância, o grande pré-requisito é o prestigio adquirido, seja lá como for. Ou seja, vale o velho ditado: Ganhou fama pode deitar na cama!

Um comentário:

Douglas Dias disse...

Ótima reflexão;a maioria das pessoas preferem ser ludibriadas com sofimas à encarar a realidade que tão de perto nós rodeia, a nossa sociedade possue uma imensa dificuldade para diferenciar um discurso falacioso com palavras frívolas, de um discurso realistas que poderia transformar a realidade, as massas populares estão tão acostumadas a ouvir esses discursos, que quando essa ortodoxia é violada, o indivíduo é visto como indiferente. A moral que rege as ações política podem ter relações verdadeiras, mas a politicagem que existe dentro do sistema, impossibilita um discurso verdadeiro.